27/08/2026
Um ano após uma colisão que deixou duas mulheres feridas na Avenida Nilo Peçanha, em Porto Alegre, os condutores de uma Porsche e de uma RAM foram indiciados, mas continuam respondendo em liberdade.
O acidente ocorreu na noite de 25 de agosto de 2025. Câmeras registraram os dois veículos lado a lado, em alta velocidade, no sentido bairro–Centro. A Porsche ultrapassou a caminhonete e atingiu três carros parados em um semáforo. A RAM deixou o local 31 segundos depois.
Um laudo do Instituto-Geral de Perícias apontou que a Porsche chegou a 145 km/h em um trecho onde o limite era de 60 km/h. Segundo o delegado Carlo Butarelli, vídeos e exames periciais também indicaram velocidades excessivas dos dois veículos.
Os motoristas Fabrício Bueno da Silva, apontado como condutor da Porsche, e Henrique Palma Santos, da RAM, foram localizados no estacionamento de um restaurante. Eles se recusaram a fazer o teste do bafômetro. Conforme o registro da época, o exame clínico não apontou sinais de embriaguez.
Os dois foram presos em flagrante, pagaram fiança de R$ 7,5 mil cada e foram liberados. Concluído o inquérito, foram indiciados por participação em racha, lesão corporal culposa e fuga do local do acidente. Até agora, o Ministério Público não havia informado se apresentaria denúncia. Indiciamento não significa condenação.
Uma das vítimas, Carmen Regina Lange, contou que perdeu a consciência com o impacto e só se recorda de acordar dentro da ambulância. Seu carro teve perda total, e ela relata sequelas físicas e emocionais, dificuldades para trabalhar e quatro meses de desemprego.
Carmen busca reparação na esfera cível. Segundo seu advogado, os prejuízos ainda não foram ressarcidos e a busca de valores nas contas dos réus encontrou apenas R$ 112.
A defesa de Fabrício contesta o indiciamento, nega que tenha ocorrido racha ou fuga e afirma que uma vítima já foi indenizada, enquanto busca acordo com a outra. A defesa de Henrique sustenta que ele não participou de racha nem foi responsável pelas lesões.
A análise dos vídeos e o cálculo pericial da velocidade foram centrais para reconstruir o deslocamento dos veículos e confrontar as versões apresentadas.
Imagens: G1 e GZH