17/09/2018
Eu meio que desenvolvi a depressão em 2016. E uma coisa que eu acho que foi diferente da maioria ou pelo menos do que as pessoas normalmente esperam, foi que eu não passo por nenhuma situação horrível sabe (...) Um pensamento muito equivocado que as pessoas têm é que a depressão necessariamente tem um motivo. A depressão não é uma tristeza, um trauma... Sei lá para algumas pessoas pode até ser consequência de algo mas nem sempre é assim. Ela é um desequilíbrio químico no cérebro, que pode ser acusada por diversos fatores: genética, alimentação, etc... No meu caso foi genética, gerações da minha família tiveram e têm depressão e o único jeito de resolver isso é tratando mesmo. Imagino que situações emocionais e sociais podem influenciar sim, mas não são o fator principal. Quando eu descobri minha depressão ou que tinha algo realmente errado foi um momento bem forte. Acredito que nem todos passam por isso, normalmente deve ser algo mais sutil. Eu já estava com pensamentos muito negativos há um tempo e meio que planejando meu suicídio. Nada muito concreto, eu estava bem no começo disso, tive sorte de ter ajuda rápido. Eu pensava que não tinha mais motivo para estar no mundo, minha existência simplesmente não fazia sentido. Não eram altos e baixos de sentimentos, era simplesmente uma coisa constante de não sentir absolutamente nada. Eu não sentia felicidade, tristeza, raiva, nada. Lógico que em algum momento ou outro tinha uma emoçãozinha normal, tipo felicidade que a comida chegou ou raiva da mãe gritando pela manhã. Mas majoritariamente eu era um vegetal. Eu não fazia nada, não ia para a escola, não interagia com ninguém, só f**ava deitada. O sono era minha fuga do mundo, quando eu não queria ter o trabalho de viver a vida, eu simplesmente dormia. Mas voltando ao momento forte: No meu aniversário de 16 anos, minha família inteira estava na minha casa para comer bolo e cantar parabéns e eu não queria sair do quarto de jeito nenhum. Eu só queria morrer. Não lembro ao certo o que me irritou aquele dia, foi um daqueles momentos raros que eu estava sentindo alguma coisa. Só lembro de chorar muito e brigar com minha mãe e minha tia. Minha tia disse que sentiu que havia algo errado e sugeriu a minha mãe que me levasse em uma psicóloga. Eu agradeço MUITO por minha tia estar lá comigo nesse momento, porque minha mãe nunca ia perceber que havia algo errado. Ela se recusava a aceitar que a filhinha perfeita dela tinha algum problema, principalmente algo que precisasse de um psicólogo ou psiquiatra, tudo para ela era frescura ou uma forma de chamar atenção. Desde pequena, por saber que meu signo é leão, tudo para ela era drama para chamar atenção, nada era levado a sério. Mas naquele momento minha tia percebeu que era algo a mais. Mais tarde quando todo mundo tinha ido embora, eu comecei a pesquisar no Google mesmo qual a relação entre o espiritismo e o suicídio. Eu já tinha pesquisado antes sobre formas rápidas e indolores de se matar. Eu sou muito ligada à religião, fiz estudo sistematizado da doutrina espírita e tal pois sempre gostei muito mais do lado teórico e científico do que da fé em si. Aí no meio da pesquisa apareceram umas coisas que me assustaram, eu não me matei por medo. Simplesmente por isso. Não foi nada de "deus me salvou", mesmo sendo relacionado a religião, foi só medo. Ainda demorou um tempo para minha mãe aceitar que eu fazia terapia, mas com ajuda da minha tia realmente aconteceu e foi a melhor coisa da minha vida. Foi quando eu comecei a me conhecer de verdade e aprendi a ser mais sincera com meus pais sobre como eu me sentia. Eu não tinha coragem de dizer nada para eles antes, isso provavelmente também contribuiu muito para que eles não percebessem o quanto eu estava mal, era zero comunicação. Mas enfim, fiz terapia, a psicóloga percebeu que não era suficiente, tentei homeopatia, não deu certo, tentei f**ar só na terapia novamente, nada. E acabei na psiquiatra. Depois de vários remédios diferentes finalmente encontrei um que dava certo.
Aí em 2017 já com alguns meses de tratamento, vestibular chegando, a ansiedade chegou junto. Nisso também tive que começar remédios para ansiedade, mas isso acho que não foi como a depressão, veio com uma causa visível. Vestibular, ansiedade de mudança, problemas com as pessoas da minha cidade e tal... Se não fosse pela minha psicóloga e pela psiquiatra eu não teria conseguido convencer meus pais a me deixarem mudar de cidade. São Paulo foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, aqui eu me encontrei e fiquei 5000x melhor. No primeiro mês aqui, tomava 3 remédios por dia, agora já consigo tomar só um. Enfim, acho que é isso...
Anônima
Não é drama, não é frescura, não é mentira. Saúde mental é coisa séria e precisa ser tratada como tal, por isso, o CVC (Centro de Valorização da Vida) realiza um trabalho de apoio emocional de prevenção ao suicídio a todos que precisam de conversar.
Os atendimentos são gratuitos e em total sigilo via e-mail ou telefone 24 horas por dia.
Para mais informações, acesse www.cvv.org.br ou ligue para o número 188.
Você não está sozinho.
Sua vida importa muito.
Cuide-se.