12/02/2019
Nós, do Coletivo Antonieta de Barros, repudiamos os posicionamentos racistas dos professores da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (FACOM/UFBA) em decorrência da festa de 50 anos de Donata Meirelles.
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No último fim de semana, a socialite Donata Meirelles, diretora de estilo da revista Vogue Brasil, realizou sua comemoração de aniversário com um cenário que remetia ao período escravocrata, num verdadeiro escárnio à desumanização de pessoas negras e fetiche sobre as religiões afrobrasileiras. Para além do que este episódio revela da história da revista e da jornalista em questão, o caso serviu de palco para a proliferação de discursos de ódio.
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Neste cenário, vimos profissionais baianos da comunicação que são docentes da Faculdade de Comunicação da UFBA escancararem o seu racismo.
Reconhecidos entre estudantes por suas atitudes racistas dentro e fora das salas de aula, esses professores não são punidos ou se envergonham de seus posicionamentos.
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Para nós do Antonieta de Barros, nos indigna ver 'referências' de nossa área apelando para uma falsa simetria de liberdade de expressão para destilarem seu ódio racial. Nos indigna ver também declarações que desdenham de valores democráticos no exercício do direito a comunicação. É uma demonstração do total descompromisso que estes docentes têm em tratar as mazelas que assolam as construções simbólicas do nosso país em vieses racistas.
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Façamos aqui um lembrete: racismo é crime! Exigimos um posicionamento da Faculdade de Comunicação sobre os recorrentes casos na instituição e sobre as declarações racistas de professores da casa! Estamos cientes de que a própria estrutura da Universidade Federal da Bahia corrobora na criação de obstáculos para a resolução de casos de racismo denunciados para a ouvidoria da instituição. Não toleramos que a natureza perversa do racismo aponte suas vítimas como algozes e retire a responsabilidade dos beneficiários da branquitude.
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Enquanto o racismo não for encarado como um dos motores de atraso do Brasil e, de cima de seus privilégios, produtores culturais, jornalistas e cineastas fizerem pouco caso de sua responsabilidade na construção do simbólico, o retrato da comunicação brasileira continuará tão puído como nossa democracia neste momento.
Edit: Trocamos a segunda foto do post, referente a festa, com o objetivo de preservar a identidade das mulheres negras que estavam trabalhando no evento.