Não passaram ainda dois anos desde que realizámos as primeiras UNNEEDED CONVERSATIONS (UNC), em Maio de 2010, e nada está na mesma. O quotidiano está hoje contaminado pelo léxico da crise, e esta crise parece ocupar todos os interstícios da realidade, sendo, ao mesmo tempo, a culpada de tudo, uma desculpa salvadora para os projectos adiados, ou, porque não, uma oportunidade para o pensamento rad
ical da diferença. Foi neste contexto que tomámos a decisão de dar continuidade às conversas desnecessárias, conscientes das dificuldades que temos pela frente, até porque não poderiam estar reunidas condições mais adversas para a sua realização. O nosso objectivo é assegurar que a im-possibilidade das UNC 2012 se transforme em turbulência, à imagem do motor de uma qualquer máquina a vapor que, apesar de obsoleta, teima em manter-se a trabalhar. Imperfeita e gaguejante, é o facto de esta máquina continuar a trabalhar que a torna produtiva. Decidimos, por tudo isto, olhar a realidade de frente e organizar estas unneeded conversations sob o signo do low cost. Todos conhecemos esta noção, ainda que somente a partir do ponto de vista do consumo e da possibilidade de gerar lucro. Conhecemos as companhias de aviação, conhecemos os hotéis, os restaurantes, os outlets —; enfim, toda uma realidade que impera na face visível da economia contemporânea e que é tão feliz quanto enganadora, já que com o low cost temos não apenas a democratização do consumo mas também a imposição da precariedade como moeda de troca. A noção de low cost — e as formas de precariedade que dela dependem — não só não é um exclusivo das formas financeiras da economia como abre todo um novo e insuspeitado campo produtivo de pensamento e acção. Como sabemos, há outras economias e também essas podem ser vistas sob esse prisma do low cost. Pense-se apenas na prática artística e na descoberta de novas formas de acção que integram a precariedade como modalidade poderosa para continuarem a produzir sentido; pense-se nas formas da mediação que resistem à obsessão pela novidade tecnológica ou ao mito da transparência comunicacional; pense-se na reapropriação do degradado espaço público das cidades e na sua livre transformação; pense-se na erupção da edição de autor e na construção de formas alternativas de publicação; pense-se, em suma, como o carácter precário de algumas destas realidades é justamente aquilo que lhes confere um estatuto produtivo e uma resistência ao mainstream do low cost. Os quatro tópicos de discussão das UNC 2012, um para cada dia, são os seguintes:
16 de maio - UNGOVERNABLE: The precarious politics of art
17 de maio - UNTAKEN: Public Space, Back to Normality
18 de maio – UNEDITED: Pocket Publication: the Economy of Publishing
19 de maio - UNFUELED: The Potentiality of Media and its Shadows