01/04/2026
JOÃO LUÍS DIAS REFLETE SOBRE O CONSUMO DE NOTÍCIAS E OS DESAFIOS DO JORNALISMO EM ENTREVISTA PARA O PROJETO MEMNEWS
João Luís Dias concedeu uma entrevista, na qual partilhou o seu percurso enquanto consumidor de notícias e refletiu sobre as transformações que marcaram o jornalismo e os hábitos de acesso à informação ao longo das últimas décadas.
Natural do Porto, onde sempre viveu, João Luís Dias recordou um ambiente familiar fortemente marcado pelo interesse pela atualidade. Em casa, o contacto com as notícias fazia parte do quotidiano, com especial destaque para o telejornal e para a leitura regular de jornais como o Jornal de Notícias, o Público, o Expresso e O Independente. Esse contexto contribuiu para um interesse precoce pela informação, que se revelou desde a infância.
Entre as primeiras memórias noticiosas que destaca encontra-se a Guerra do Golfo, acontecimento que acompanhou ainda muito novo e que associa ao despertar da sua atenção pelas notícias internacionais. Ao longo do tempo, esse interesse manteve-se, consolidando-se num consumo continuado de informação política, nacional e internacional, e numa atenção particular aos temas de geopolítica.
Sublinhou o impacto que a internet e o acesso imediato à informação tiveram na transformação dos hábitos de consumo noticioso. Se antes era necessário esperar pelo telejornal ou pela edição impressa do dia seguinte, hoje a atualização é permanente e em tempo real, através do telemóvel, dos sites de informação e das redes sociais. Apesar dessa mudança, mantém o hábito de ler a imprensa escrita e continua a valorizar os jornais como fonte de informação.
Ao refletir sobre o jornalismo atual, manifesta uma perspetiva crítica sobre alguma perda de qualidade dos conteúdos noticiosos, defendendo que o jornalismo tem vindo, em muitos casos, a ceder à lógica do entretenimento, das audiências e do clickbait. Na sua opinião, faz-se hoje menos jornalismo de profundidade, num contexto em que a pressão económica e a procura de cliques condicionam o trabalho dos profissionais da comunicação social.
Ainda assim, João Luís Dias afirma continuar a confiar no jornalismo e nos jornalistas, salientando, porém, que o problema reside no facto de nem sempre haver espaço, tempo e condições para produzir informação com o rigor e a profundidade desejáveis. Paralelamente, mostra-se preocupado com o fenómeno da desinformação e com o papel das redes sociais, que considera uma das principais ameaças à democracia, sobretudo pelo modo como condicionam o acesso dos mais jovens à atualidade.
Assista na íntegra:
Entrevistado: João Luís Dias, Gestor, 42 anos, PortoEntrevistadora: Professora Doutora Sandra TunaProjeto de investigação exploratório 2023.15210.PEX - Histó...