08/06/2016
15 - RESSIGNIFACÕES DO PASSADO PELA FICÇÃO: RELEITURAS DA HISTÓRIA PELA LITERATURA
Gilmei Francisco Fleck (UNIOESTE-CASCAVEL) [email protected]
Weslei Roberto Cândido (UEM) - [email protected]
As nações que foram colonizadas na América, seja por portugueses, ingleses, espanhóis ou franceses, tiveram seu passado registrado sob a ótica do poder, da dominação e da subjugação. Nessa versão oficial do passado imperam os ideais colonizadores e dominadores que excluem as perspectivas daqueles que ficaram à margem do exercício do poder. As muitas dificuldades nos processos de comunicação entre dominadores e dominados, resultantes dessas determinações, assim como os inumeráveis problemas que se deram entre tais contatos, resolveram-se, na maioria dos casos, pela tradução/interpretação: especialidades linguísticas que requerem grande conhecimento de línguas e que sempre foram usadas a favor do conquistador. Ao anular-se uma cultura existente – baseada na oralidade – e impor-se outra – que se valia da escrita para exercer o poder –, alheia ao universo existencial da população local –, a América perdeu grande parte de sua identidade. O sistema educacional instituído na maioria das novas nações, nunca conseguiu, de fato, escolarizar criticamente a grande massa da população. O domínio da leitura e a escrita sempre foram, dentro deste contexto, os grandes empecilhos à formação crítica dos latino-americanos. Reler esse passado na contemporaneidade, pelas múltiplas possibilidades da escrita ficcional, constitui-se, a nosso ver, em vias singulares para a ainda necessária descolonização intelectual dos povos latino-americanos. Objetivamos, pois, com as reflexões propostas nesse simpósio, passar pelas instâncias teóricas do processo de leitura, escrita e traduções, assim como pela recepção das escritas híbridas de história e ficção que buscam reler esse passado, revelando o caminho que vai da importância dessas escritas até as suas funções como vias de descolonização na atualidade. Entre as mais significativas expressões nesse âmbito temos as distintas modalidades de romance histórico: clássico scottiano (LUKÁCS, 1970), tradicional (MÁRQUEZ RODRÍGUEZ, 1995; FERNÁNDEZ PRIETO, 2003), novo romance histórico latino-americano (AÍNSA, 1988, 1991; MENTON, 1993), Metaficção historiográfica (HUTCHEON, 1991) e romance histórico contemporâneo de mediação (ALBUQUERQUE; FLECK, 2015), além de toda uma vasta gama de escritas memorialistas em distintos gêneros.