31/05/2026
SÁBADO DE LIVROS
Levei meu livro “Duplo Inteiro”, neste sábado, na 3ª Feira do Livro de Florianópolis, promovida pela Academia de Letras de Florianópolis (ALF). Lá conversei com várias escritoras e escritores, com os quais troquei livros forjados na prosa, poesia, conto e romance. Também declamei dois poemas: “Meninas crepusculares, senhoras matinais” (p. 28) e “Enquanto” (contracapa), em um entardecer que ruboresceu nossos corpos e palavras envolvidos na paisagem vista da Ponte Hercílio Luz, que nos enternece em seus 100 anos de existência.
Paisagem em que participei e participo pela sua preservação diante da voracidade da especulação imobiliária, que quer avançar com edificações nas bordas e proximidades do Mirante da Estátua de Hercílio Luz, governador que teve a iniciativa da construção desta ponte, embora endividasse o município por décadas, mas cujo valor histórico, cultural e paisagístico não tem preço. Depois de anos, evitou-se o seu tombamento físico e foi possível tombá-la patrimonialmente, apesar de seu entorno e extensão ainda serem motivo de polêmica.
O primeiro poema que declamei surgiu sob encantamento de ver minhas tias e primas, já de idade, no final de 1990, quando aqui estiveram, vindas do Sul e do Rio de Janeiro, em uma tarde de domingo ensolarado e na beira do crepúsculo, desfrutando de um gelado de uma sorveteria próxima da Ponte.
Aquela imagem me impactou e escrevi um poema descrevendo aquelas senhoras joviais que, naqueles instantes, pareciam meninas domingueiras em um parque, ressoando a conhecida canção de Gil, e, ao mesmo tempo, senhoras de alegria ímpar, com minha falecida mãe Lóca, cuja inocência e leveza diante da vida me foram legadas.
Em seguida, declamei “Enquanto”, cuja inspiração se mistura com a dor das destruições de povos, como na Palestina, e o genocídio da juventude negra nos morros e periferias de nosso país, como em Florianópolis.
A poesia voa sem asas.