13/05/2024
Abolição ou continuação?
13 de maio marca a suposta abolição da escravidão no Brasil, a qual na verdade se reconfigurou, tendo em vista que a violência sistêmica contra a população negra é uma realidade cotidiana, onde as balas “'perdidas” parecem sempre encontrar seu alvo, revelando a necropolítica a partir do genocídio do povo negro. Como diz Emicida: '”80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo”.
“Os negros são vistos como invasores do que os brancos consideram seu espaço privativo, seu território” – Cida Bento. Largados à própria sorte. Vistos como marginais. Escória.
Não foi por bondade se os nossos sangraram. Não foi por bondade se continuamos sangrando.
É essencial falar também de resistências, já que o mito da passividade das pessoas escravizadas é desfeito ao lembrarmos das inúmeras estratégias que foram criadas, como a formação dos quilombos, que hoje transformou-se em verbo: aquilombar-se.
Expressões musicais, culinárias, religiosas… é tudo resistência. Continuamos construindo novos caminhos e nos fortalecendo.
“Nós temos que buscar o que é nosso, nós temos que resgatar o que é nosso e nós temos que atualizar o que é nosso, e nós vamos.. e nós temos que dialogar criticamente, com tudo que se coloca diante de nós como verdade absurda e assim como se coloca, negam dimensões essenciais do que somos” – Sueli Carneiro.
Nossos caminhos não é apenas marcado pela dor, é uma jornada de solidariedade, encontros ancestrais e alegrias, arte, imaginação, esperança e fé… que um dia o sol vai brilhar pra nós também.
Lutamos para mantermos viva a memória.
Saudamos os nossos ancestrais, que possamos honrar aqueles que vieram antes de nós, enquanto continuamos a lutar.
“Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje” – ditado Iorubá. ✊🏾✊🏽✊🏽