16/05/2026
Pesquisa tem como foco o pedido de perdão do estado pelo Quebra de Xangô em AL.
No dia 1º de fevereiro de 1912 a perseguição às religiões de matriz africana registrou e marcou em Alagoas um violento episódio de intolerância religiosa. Terreiros de candomblé foram destruídos em Maceió, objetos sagrados queimados, pais e mães de santo atacados na tentativa de apagar a cultura-afro-brasileira no Estado, então governado por Euclides Malta.
O acontecimento, que passou a ser conhecido como Quebra do Xangô, teve José Fernandes de Barros Lima, líder da oposição e posteriormente governador de Alagoas, apontado como um dos autores intelectuais da perseguição, e configurou-se como um marco de intolerância religiosa. Cem anos depois, em 1º de fevereiro de 2012, veio o pedido de perdão, oficializado pelo então governador Teotônio Vilela Filho. O ato assinado reconhece a violência institucional do passado, mas a luta pela preservação da memória e pela justiça histórica continua em meio a persistentes desafios.
“O pedido de perdão opera como um gesto simbólico importante, que reconhece a violência histórica e seus impactos para as comunidades tradicionais de terreiro, porém se faz necessário implementar políticas públicas reparatórias e efetivá-las. É preciso reconhecer a resistência das casas de axé que não deixaram as tradições e as manifestações culturais desaparecerem, que protagonizam a construção de uma sociedade mais democrática e diversa”, afirma Amaurício de Jesus, que defendeu no mês de março sua dissertação de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura (PPGLL) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e foi aprovado com destaque para a importância de publicar a pesquisa.
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