05/12/2025
Carta lida no Seminário de Educação Física do IFSP, no campus Itapetininga. O docente de Ed. Física do IFSP piracicipou.
Carta aberta à comunidade acadêmica e ao Governo Federal
Em memória de Allane Pedrotti e Layse Pinheiro, colegas do CEFET-RJ, vítimas de misoginia no ambiente de trabalho.
Prezadas autoridades, comunidade acadêmica e sociedade brasileira,
Hoje nos reunimos em dor, em memória e em indignação. Allane Pedrotti, diretora, e Layse Pinheiro, psicóloga, foram brutalmente arrancadas de nosso convívio por um crime que carrega nome e estrutura: misoginia institucional. O que ocorreu no CEFET-RJ não foi um caso isolado, foi o reflexo de um sistema que ainda permite que mulheres sejam silenciadas, violentadas e mortas por exercerem liderança, por ocuparem espaços de poder, por existirem.
Em março de 2024, o Governo Federal lançou o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, com um plano de ação contendo 73 medidas intersetoriais para enfrentar a violência contra mulheres. Entre elas, destacam-se:
Monitoramento de feminicídios e tentativas com dados integrados e transparentes;
Formação de profissionais da educação e segurança pública para identificar e prevenir violências de gênero;
Protocolos institucionais para ambientes de trabalho seguros e igualitários;
Campanhas educativas permanentes sobre misoginia e violência estrutural.
Diante da tragédia que nos marca, exigimos que essas medidas deixem de ser apenas promessas e se tornem ações concretas. O pacto não pode ser apenas um documento técnico — ele precisa ser vivido, fiscalizado e cobrado em cada escola, universidade, repartição pública e espaço de trabalho.
À comunidade acadêmica, cabe a responsabilidade de romper o silêncio institucional, revisar suas práticas, acolher denúncias e encaminhar denúncias às autoridades competentes, proteger suas profissionais e promover efetivamente educação para a não misoginia. A omissão também mata. Que o luto por Allane e Layse se transforme em compromisso: nenhuma mulher a menos em nossos corredores, salas de aula ou gabinetes.
Ao Governo Federal, exigimos urgência na implementação plena do plano, com recursos, fiscalização e responsabilização.