15/12/2025
Em celebração ao encerramento das atividades realizadas em 2025, o Grupo de Estudos em Geodésia Espacial (GEGE) da FCT Unesp realizou, na última sexta-feira (12), o Seminário Anual do grupo. Com a participação de palestrantes da casa, internacionais e nacionais, o evento foi realizado de forma híbrida, na sala de apresentação de projetos do Departamento de Cartografia, e transmitido online no canal do YouTube do grupo, para mais de 300 pessoas.
A programação do seminário, conduzida pelo doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciências Cartográficas (PPGCC), João Pedro Zaupa, contou com cinco palestras, transitando por apresentações sobre três grandes áreas de pesquisa e desenvolvimento em geodésia e navegação, além de uma discussão abrangente sobre o papel da inteligência artificial (IA).
A palestra de abertura foi ministrada pela Profa. Dra. Daniele Barrocá, uma das coordenadoras do grupo, que apresentou um breve histórico do GEGE desde sua criação até os dias atuais.
Na sequência, o professor Dr. Kai Guo, da Universidade Beihang (BUAA/China), trouxe um trabalho focado na avaliação de desempenho de GNSS (Sistema Global de Navegação por Satélite) a bordo (airborne GNSS performance) usando dados ADS-B (Automatic Dependent Surveillance–Broadcast). A discussão foi voltada para a avaliação do impacto de anomalias da ionosfera e o desempenho do GNSS a bordo durante uma tempestade geomagnética.
A palestra “Multi-GNSS Multi-Frequency PPP-AR: Principles, Modeling, and Evolution”, realizada pelo Dr. Dimitrios Psychas, da European Space Agency (ESA), abordou os princípios, modelagem, evolução e avaliação de desempenho do PPP-AR (Ponto Preciso com Resolução de Ambiguidade) multi-GNSS (multi-constelações) e multifrequência. Psychas explicou também os fatores cruciais para a técnica de posicionamento ser a mais precisa possível, e quais desafios de contabilidade de dados podem ser enfrentados no processo.
A quarta apresentação, “Shaping the Future of Geodetic Earth Monitoring with AI”, foi conduzida pelo Prof. Dr. Benedikt Soja, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich/Suíça). Nela, foi abordada a influência da IA na geodésia e no monitoramento da Terra, a partir de exemplos de como o machine learning está sendo usado para refinar modelos globais – na previsão de parâmetros atmosféricos, no downscaling de dados da missão Grace para monitorar anomalias de massa, e na previsão de Parâmetros de Orientação da Terra (EOP) – com maior precisão e confiabilidade.
Para encerrar, o professor Roberto Luz, da Coordenação de Geodésia (CGED) do IBGE, apresentou um panorama do passado, presente e futuro da Rede Vertical Brasileira. “Muito bom poder falar com a comunidade de vocês, ainda mais em uma data tão bacana como esses 80 anos que nós comemoramos, aqui no IBGE, o início dos trabalhos de nivelamento”, celebra.
O GEGE
Coordenado atualmente pelos docentes do Departamento de Cartografia, Dra. Daniele Barrocá e Dr. João Francisco Galera, o Grupo de Estudos em Geodésia Espacial surgiu em 1996, inspirado pelo grupo GPS da Universidade Técnica de Delft (TU Delft/Holanda) liderado pelo Prof. Peter Teunissen.
Na FCT, o GEGE iniciou pequeno, com apenas um docente e dois alunos. Entretanto, sua aprovação no projeto “Jovem Pesquisador” da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ainda em seu primeiro ano de existência, atraiu a participação de outros docentes, principalmente após a criação do Programa de Pós-graduação em Ciências Cartográficas.
Os membros do grupo incluem docentes, pesquisadores, alunos de iniciação científica, mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos, e estagiários da área de Geodésia e Topografia, que se reúnem quinzenalmente para a discussão de assuntos relacionados à Geodésia Espacial. Em geral, é organizado também um seminário anual com duração de um dia, além dos workshops de projetos desenvolvidos ao longo do ano.
Como objetivos, Daniele destaca: as investigações sobre o uso dos sinais GNSS para fins de geodésia, monitoramento da atmosfera e integração com outras áreas de Ciências e Engenharias, feita pelo posicionamento e sensoriamento remoto e geodésico; e a implementação e validação de novas tecnologias e metodologias para o posicionamento espacial, além das aplicações não-convencionais.
Desde os anos 2000, os números do GEGE têm crescido. Atualmente, conta com cerca de 20 reuniões anuais e 203 membros. Este aumento se deu, principalmente, pela expansão a nível nacional, que trouxe a participação interinstitucional de outros grupos de pesquisa (UFPE, UFRGS, UFPR, UFU/Monte Carmelo, IME, UFPI, Unicamp, e a própria Unesp).
Barrocá ressalta, ainda, o papel do grupo e de seus integrantes: “A gente sempre pede que os orientadores, participantes, incentivem a participação efetiva nas reuniões, que tragam reflexões e perguntas sobre a área, inclusive, para os alunos da graduação. Além de prestigiar as apresentações dos colegas, é importante ampliar a divulgação das pesquisas de um modo didático. Nós buscamos trazer a Geodésia mais próxima das pessoas nas nossas mídias sociais, para que elas entendam onde ela está presente no dia a dia de cada um”, finaliza.