21/05/2017
Gotícula Literária ™
-O Carrossel que me é fiel-
Já não vejo as estrelas...Tamanha fogueira ofusca o céu. A febre demasiada é a véspera da queda: Sangro. Corro perigo, brigo, tenho arame farpado nas veias, bebo, fico intratável, ando sobre o fogo com raiva de mim!... Escrever é a última lágrima a perder o seu sentido... Calo. Resto a antítese duma semente. Nunca houve ou haverá solidão deste tamanho!... até que passem os dias da cela... Mas passam. Escrever é a primeira fogueira a recuperar o seu milagre!... O Sol se ergue. Eu me sinto no paraíso, eu canto, eu sorrio, tenho amores, fotografo flores, brindo à alegria e a temperatura aumenta!... e um dia há de se chegar à febre demasiada, e seu cruel poço subsequente... Eu não escolhi o carrossel. Ele se ergueu ao redor de mim... Já tomei um milhão de pílulas!, já fui a um milhão de consultas!, já rezei, já chorei, já perdi... Chegou a hora de girar serenamente. Eu quero no sangue a beleza de uma flor que só há na alma dos serenos... Sorrio. Mais um pássaro de mim está liberto. Não há tristeza aqui! Triste é a dor órfã de poesia! Triste é o pássaro trancado no coração! Eu cavo nessa terra, encontro pássaros de pedra e eles voam. A poesia realiza tal milagre. O que eu quero é uma terceira instância em mim, que olhe a lagarta virar borboleta, serenamente, e, serenamente veja a borboleta tornar a ser lagarta. Já que há o carrossel e me é fiel...
Sérgio Eduardo Cardoso