Os trabalhos de Ficologia Marinha no Departamento de Botânica, da então Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP, depois Instituto de Biociências (IB) da USP, iniciaram-se em 1950 com o saudoso Aylthon Brandão Joly. O Professor Joly deu início de forma sistemática ao estudo das macroalgas brasileiras, além de formar algumas dezenas de botânicos que se especializaram na taxonomia de vários g
rupos de vegetais. Por volta de 1970, Joly transferiu-se para a recém criada Universidade de Campinas e passou a se dedicar à taxonomia de angiospermas, assunto no qual ele havia se doutorado. Dois de seus discípulos, Yumiko Ugadim, contratada em 1963, e Eurico Cabral de Oliveira Filho, contratado como técnico em 1961 e docente em 1964, continuaram os estudos ficológicos na USP. Até meados de 1970, a ênfase desses estudos seguiu uma linha que visava a catalogação da biodiversidade de macroalgas, inicialmente da costa do Estado de São Paulo e depois de todo o Brasil. Ao voltar de um pós-doutorado no País de Gales, Oliveira iniciou uma ampla diversificação nos estudos ficológicos junto a seus alunos. Essa abordagem holística incluiu principalmente estudos sobre a biologia de espécies de importância econômica. Ugadim continuou a linha taxonômica "Jolyana" durante toda sua permanência no departamento até sua aposentadoria em 1991. Essa longa tradição no estudo da catalogação perseguida por Joly, Oliveira, Ugadim e seus alunos resultou em mais de uma centena de publicações e na obtenção de um acervo considerável de exsicatas que hoje integram o Herbário Ficológico da USP (SPF). O herbário é conhecido internacionalmente pela riqueza de suas coleções que ultrapassam dezenas de milhares de exsicatas. Entretanto, até meados de 1970 não havia propriamente um laboratório de algas, mas apenas o herbário, lupas e microscópios, e os estudos eram feitos na sala do Prof. O embrião do primeiro Laboratório de Ficologia (LF) surgiu em 1977 em uma sala da antiga “casa de comando”, localizada fora do prédio de pesquisa, hoje André Dreyffus, nos jardins do departamento. Nessa sala, Oliveira e Édison José de Paula, contratado como docente em 1978, construíram estantes e montaram uma estrutura mínima para manter algas marinhas vivas. Em 1979, o laboratório foi transferido para duas salas do terceiro andar do prédio André Dreyffus, onde está até hoje. A partir de então, o grupo foi reforçado pela contratação de Rocilda Perazzini Furtado Schenkman, em 1982. Schenkman deixou a universidade em 1988, ano em que foram contratados Estela Maria Plastino e Flávio Augusto de Souza Berchez. Pouco a pouco o laboratório foi se equipando por meio de vários projetos financiados pela FAPESP, CNPq e instituições internacionais, e teve sua área consideravelmente expandida. O laboratório ganhou muito com esses auxílios e a contratação de um técnico de nível superior, Rosário Petti em 1984. Em 1994 foi contratada uma nova pesquisadora, Mariana Cabral de Oliveira. Oliveira aposentou-se em 1997, porém, continua suas atividades de pesquisa e orientação como docente voluntário. Em 2003, o laboratório sofreu uma grande perda: o falecimento de E.J. Após dois anos, uma nova docente foi contratada, Fanly Fungyi Chow Ho. Há vários anos o antigo LF, da casa de comando, passou a ser conhecido como Laboratório de Algas Marinhas (LAM), um laboratório moderno e bem equipado para estudos de biologia de macroalgas, incluindo excelentes facilidades para cultivo de algas in vitro, seleção de linhagens, estudos de fisiologia e extração de ficocolóides. Em associação com o Laboratório de Biologia Molecular de Plantas do Departamento de Botânica, desenvolve também estudos sobre evolução e filogenia de algas usando técnicas de seqüenciamento de genes. Esta liderança no estudo de algas marinhas tem atraído pós-graduandos de várias partes do Brasil e do exterior. Mais recentemente, o LAM passou a ser denominado Laboratório de Algas Marinhas "Édison José de Paula" em homenagem ao querido colega que teve papel fundamental, juntamente com Eurico Oliveira, na sua formação e desenvolvimento. Em 2010 Valeria Cassano foi contratada como docente e passou a integrar a equipe do LAM. Atualmente a equipe conta com seis docentes, e dezenas de estudantes de graduação, pós-graduação, além de bolsistas de apoio técnico.