19/06/2020
A função paterna como estruturante simbólico na vida do sujeito é crucial para o desenvolvimento da sua estrutura edípica. O pai como função simbólica intervém no desejo incestuoso da criança, faz com que ela tema o desejo pela mãe, e passa a sofrer a angústia pela castração. E por que essa falta é importante? Porque é ela quem possibilita simbolicamente o sujeito se emancipar: quando a criança precisa optar pelo seu falo ou pelo desejo pela mãe, ela opta o falo, pela sua integridade como sujeito. O pai aparece como figura que castra, e ao se sentir essa angústia, a criança é possibilitada por essa metáfora paterna a seguir o seu caminho. Ou seja, sem a função paterna, o sujeito é incapaz de tomar seu próprio rumo. A busca pelo pai que acontece obsessivamente em nossos dias revela que nossa cultura busca de forma arcaica uma inserção no universo das leis, uma busca de uma figura libertadora, que fará essa função de estabelecer e estruturar a ordem do coletivo. É essa literalização da metáfora que impede que o sujeito tome sua autonomia. Enquanto negarmos a castração como o início do Outro quando eu termino, e assim posso saber quem é esse Outro que me causa reações as quais eu não sei ainda lidar, nós não saberemos quem somos como sujeitos e cultura. Como diria Nelson Rodrigues: “Quando o Brasil se tornará Brasil, e não uma nova forma de ser outro país?”.