07/06/2020
Manifesto dos profissionais da saúde contra o governo e a favor da democracia
Nos últimos meses vivemos a maior crise sanitária de nossa história recente, a pandemia da Covid-19. Até o dia de hoje, são mais de 6 milhões de casos confirmados e aproximadamente 379 mil mortes pelo mundo. No Brasil, superamos a marca dos 30 mil mortos nesta semana, com mais de 500 mil casos confirmados, fora os casos não computados pela constatada subnotificação. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que teve toda sua estrutura reorganizada para ser o principal centro de acolhida de pacientes graves na cidade de São Paulo, apresenta no momento 90% dos leitos de UTI ocupados por pacientes com a Covid-19 e expectativa é de preencher todos os leitos nas próximas semanas.
Neste contexto de mortes em massa, escassez de recursos (disponibilidade de equipe de saúde, materiais de EPI, leitos de enfermaria e leitos de UTI), dificuldade de acesso de doentes crônicos aos serviços de saúde, desemprego em ascensão, maior vulnerabilidade da população de baixa renda e incertezas na duração da pandemia; o Brasil carece de uma liderança. Caberia ao líder do país entender a dimensão do problema e coordenar representantes de diversos setores como saúde, economia, justiça, planejamento, cidadania, entre outros. Somente com coordenação e coerência seria possível o enfrentamento de fato da pandemia que assola o mundo todo. Este não é o papel exercido pelo presidente Jair Bolsonaro.
Desde as primeiras notificações, o presidente difundiu de maneira ativa por vários meios de comunicação - inclusive oficiais - que a Covid-19 era apenas “histeria”, “resfriadinho” ou “gripezinha”, minimizando sua gravidade. Da mesma maneira enérgica, sempre incentivou a população a sair às ruas, frequentar escolas, cultos religiosos e jogos de futebol. Sempre divergiu das recomendações das autoridades de saúde, como a Organização Mundial da Saúde e o próprio Ministério da Saúde (antes encabeçado pelos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich), refutando, em suas fake news, estudos científicos que comprovavam a eficácia do isolamento social e o risco à segurança dos pacientes de usarem a +