Cenpras CENTRO NACIONAL DE APOIO EM PESQUISAS SOBRE AS RELAÇÕES SOCIAIS DO TRABALHO COM A SAÚDE, O DIREITO, C Não pretende substituí-las, nem com elas concorrer.

O Centro é um modo de fazer política autônoma em educação sindical e popular, destinada à classe trabalhadora. Ensaia uma escola em movimento para estimular a solidariedade da classe ao estreitar os laços de identidade de classe entre pesquisadores, professores, profissionais, ativistas sindicais e populares. O pressuposto é que qualquer que seja a escolaridade e nível de graduação de cada um, tod

os temos o que ensinar e aprender uns com os outros, enquanto trabalhadores que buscam fazer-se força política e social. Escolas de ensino técnico forma técnicos, de ensino superior forma bacharéis ou doutores, de pós-graduação, pós-doutores. São instituições formadoras de profissionais para o mercado. Afinal se está no regime capitalista e assim este prescreve e impõe. Existe para isso e não há como desfazer esse impositivo irrecorrível. Todavia somos críticos da escolarização mercantil, embora dentro nessas instituições dobremo-nos: formamos técnicos, bacharéis, doutores e pós-doutores para o mercado do trabalho. Obviamente, o Cenpras não alimenta a fantasia de substituir o que bem ou mal essas instituições fazem e nós fazemos dentro delas. Seus objetivos são mais modestos: levar pesquisadores, docentes, profissionais e militantes sindicais e populares onde haja a necessidade de produzir e reproduzir conhecimentos e experiências vivas que ajudem a unidade da classe trabalhadora à qual pertencem, ajudando-a a formar interlocutores sindicais e populares nas suas áreas de atuação onde coincidam com a do Cenpras.
É pouco, mas é muito. As anuidades dos sessenta associados efetivos com os quais contaremos no presente semestre bastarão para manter suas atividades administrativas, mas suas finalidades vão além da existência vegetativa. São de germinar, apoiar e difundir estudos e pesquisas de seus associados e de outros pesquisadores e profissionais para formar interlocutores e sujeitos sindicais e sociais que venham a atuar nas áreas que constituem campo de ação comum. Para isto o Cenpras desenvolve um projeto editorial que capta recursos financeiros de sua fonte de inspiração, as entidades representativas dos movimentos sindical e popular, para publicar estudos e pesquisas de interesse da classe trabalhadora. O atestado dessa possibilidade está no processo que levou do estudo sobre De que Adoecem e morrem os trabalhadores na Era dos Monopólios – 1980-2014, cujo um dos resultados palpável é a publicação do volume I- A violência do Trabalho no Brasil, cuja sequência, o volume II - Trabalho e Sociopatologias está em fase de edição. Enfatize-se que a publicação sob a forma de livro não é um fim, mas um meio, como não devem ser os demais que venham a ser publicados pelo Centro, instrumento de fazer escola com e para a classe trabalhadora. Merecem destaques a metodologia desse estudo, essencialmente de promover oficinas de reflexões temáticas que envolveram 33 pesquisadores e profissionais da área, e a estratégia de captação de recursos financeiros para viabilizar a publicação do volume I, com prévia aquisição de 1.100 exemplares por entidades sindicais. Com esta metodologia e pré-aquisição cumpre-se vários propósitos: o de um estudo inédito de autoria coletiva no campo do trabalho, direito e saúde inédita com substancial conteúdo; o de venda prévia de mais de metade da edição; de devolução imediata do apoio das entidades sindicais, de distribuição de parte significativa da tiragem. Adianta-se que os recursos financeiros de venda antes e após - edição ficarão integralmente com o Cenpras, cujos direitos autorais lhe foram cedidos para que mantenha com regularidade um projeto editorial autossustentável. Como não somos capitalistas, mas seus críticos e pouco tenhamos materialmente a dar, um dos requisitos para quem queira associar-se ao Cenpras é dar-se no sentido de se envolver o tanto e o tempo que possa para ajudar a educar valendo-se da experiência e conhecimento que disponha para este fazer escola junto e como classe trabalhadora. Sei que já o fazem onde estão, na universidade, institutos e centros de pesquisas estatais e no exercício profissional. Que assim seja e continuem fortalecendo-os como pesquisadores e profissionais críticos dentro dessas instituições e fora delas. O Cenpras é uma associação para apoiar pesquisas na linha dos seus associados na medida quem que sejam de interesse público, vale dizer, da classe trabalhadora. Fique claro que não cobra “pedágio” e “taxas” de administração sobre o trabalho alheio; o que objetiva é alargar os espaços sociais da participação desses pesquisadores bem ou malditos, conforme os olhares, aproximando-os dos muros da fábrica e cercas aparentes ou não, mas concretas. O Cenpras deverá fechar o ano de 2015 com sessenta associados efetivos em sete estados. Chegar aos cem previstos no estatuto não parece ser problema. A questão é garantir um perfil de associados que não indaguem o que têm a receber em troca. Esperamos que seja o suficiente em termos políticos, sociais e autoestima. Além de preencher a ficha de inscrição se é que ainda não o fez, indica um nome dentro de sua instituição com o seu perfil.

07/09/2025
28/02/2019

OPINIÃO Saúde-Trabalho-Ambiente-Direitos Humanos & Movimentos Sindical e Sociais
Hospital, História e Crise
Herval Pina Ribeiro
[Médico. Professor aposentado UNIFESP]
Ao aceitar a escalação de colaborador nos termos críticos colocados por Schütz, cujo ensaio subscreveria de bom grado, dou-me a liberdade de camarada de enviar-lhe a primeira das minhas colaborações. O texto que envio é o prefácio de Hospital, História e Crise, publicado pela Cortez em 1993, ou seja, há quase trinta anos. Escrevi-o após exilar-me por 29 anos em São Paulo quando fazia o curso de administração hospitalar na FSP/USP [Faculdade de Saúde Pública / Universidade de São Paulo]. Exilara-me por ter os direitos civis e políticos cassados quando era auxiliar de ensino de Pediatria na UFBA [Universidade Federal da Bahia] e coordenava o programa de educação de adultos pelo método Paulo Freire, patrocinado pelo Governo Jango Goulart. Não é de agora que se criminaliza a política e a educação, pois este é um país de terceiro mundo de uma América de calabouços e Guantánamos... Assim não fosse não retrocederíamos aos Bolsonaros, Guedes e Mourões que parecem vindos das cavernas, com minhas desculpas aos primatas de Darwin... Voltando às minhas colaborações: serão sempre sobre o hospital, uma das instituições contemporâneas que na forma e conteúdo reproduz o capital e sua violência.
Com um abraço, agradeço honrado ser um dos colaboradores, tal qual a encomenda.

Prefácio (síntese) - Administradores em Saúde, traduzindo um sentimento dos que gerenciam bens sociais e públicos, queixam-se da voracidade do trabalho cotidiano, em que se juntam componente burocrático, necessidade de adequar decisões às normas, elaboração de ordens de serviços e outros papéis, reuniões inúmeras e infindáveis, problemas de funcionários ou grupos, que lhes consomem tempo, paciência e trazem mil aborrecimentos. Não são, porém, esses percalços que lhes tiram o sono. Não sinto, deles, arrependimento pela opção feita, convictos servidores da causa pública.
A leitura que faço de suas queixas é de um sentimento de frustração ante a impossibilidade de assegurar a continuidade do que empreendem, suspeitando que as conquistas para a melhoria dos serviços desmoronem, batidas pela inflexão política exterior às instituições que comandam. Como outras políticas sociais obedecem menos às razões de Estado e da sociedade do que às vontades de eventuais governantes. É a dificuldade que revelam, vencidos pela urgência em decidir, pelo cansaço desse “que fazer” devorador e pela incerteza da transformação dessas práticas em experiências amadurecidas.
A Universidade, que deveria ter essa função catalisadora, está longe de realizar a síntese desejada.
Tal diáspora entre produtores de ações de saúde e produtores de conhecimento, entre os que fazem e os que ensinam a fazer, sugere não apenas diferenças de trabalho, mas antigos, densos e mútuos preconceitos.
Na medida em que a graduação, pós-graduação e outras atividades acadêmicas costumam estar impregnadas dessas esperanças, constituindo-se em momentos para essa síntese de viveres concretos e diferenciados, terão os dois lados muito a aprender. Percebo entre graduandos, pós-graduandos e profissionais de saúde uma preocupação de se instrumentalizar objetivando seus projetos de vida pessoal e profissional. Nenhuma contradição vejo estre essa intencionalidade e o aprofundamento teórico sobre as questões que se inclinam no cotidiano. O conhecimento que buscam foi construído pelas confluências de práticas e reflexões de outros. Não se trata de indagar como fazer melhor.
A quem quer saber, cumpre conhecer como era e se fez, para que possa definir o que fazer agora e depois.
É essa historicidade que precisa ser perseguida, pois é impossível entender o cotidiano e projetar sem refletir sobre o acontecido. À percepção do tempo deve-se juntar à do espaço, construções sociais se fazem de modos diferentes em diferentes lugares. O hospital tem uma trajetória secular e universal com elementos comuns nas várias sociedades e culturas. Mais do que qualquer instituição de saúde, os hospitais, em todo o mundo, cada vez mais se parecem. Resultado da similaridade dos perfis epidemiológicos e das culturas dos países industrializados que se desenvolvem no mesmo modo de produção, universalização e uniformidade das tecnologias médicas, administrativas e das políticas econômicas e sociais que se internacionalizam. Não há como negar que a enfermaria, o quarto, o laboratório de patologia, os serviços de imagem, a administração, a equipe médica e o doente são, cada vez mais, universalmente parecidos.
Essa parecença física das coisas e patológica da pessoa doente, congelada pelo olhar no tempo e espaço não dá conta das relações sociais e culturais que estão atrás e adiante dela. É preciso, com a história, aquecer a imagem para dar-lhe vida e transcendência.
Sem desmerecer o aqui e o agora do hospital, é necessário – até para nos pouparmos de ações e esforços equivocados – saber o que ele tem sido e para onde entendemos que ele vá, se quisermos, além de simplesmente administrá-lo, exercer o papel de construtores sociais. Esses olhares diversos são aqui postos no ponto em que me situo, esperando que os olhares dos que trabalham e refletem o hospital possam aprender os seus outros significados. ■■■
Herval Pina Ribeiro
São Paulo, agosto de 1993
OBS. Os textos expressam a opinião de seus autores, não necessariamente coincidente com a dos coordenadores do Blog e dos participantes do Fórum Intersindical. A cada reunião ordinária, os textos da coluna Opinião do mês são debatidos, suscitando divergências e provocando reflexões, na perspectiva de uma arena democrática, criativa e coletiva de encontros de ideias em prol da saúde dos trabalhadores.

23/01/2018

No dia 19.01.2018 foi realizado o primeiro lançamento do estudo em dois volumes De que Adoecem e Morrem os trabalhadores na Era dos Monopolios 1889-2016, na Fundação Perseu Abramo em São Paulo, sob a direção conjunta da FPA e da Federação dos Químicos do ABC, essa como representante das entidades patrocinadoras da elaboração e impressão do presente estudo. Expuseram os economistas Denise Lobato Gentil, da UFRJ e José Dari Krein, do Cesit/ Unicamp, autores dos posfácios e o cientista Herval Pina Ribeiro, professor em Saúde Coletiva e Relações Sociais de Classe e Trabalho, coordenador do presente estudo e diretor do Cenpras.
O livro tem as orelhas redigidas pelo Professor em Filosofia do Direito da USP, Alysson Leandro Mascaro, o prefácio pelo Professor de História da Universidade de Birmingham Paulo Fernando de Moraes e Faria e posfácios dos professores Fábio Ancona Lopes (Unifesp), Denise Lobato Gentil (UFRJ), Edith Selligmann-Silva (USP), José Ruben Alcântara Bonfim (ISSSESP), Jairnilson de Souza Paim (UFBA), Gaudêncio Frigotto (UFF), José Dari Krein (IE/Cesit/Unicamp e Wilson do Nascimento Barbosa (FFLCH/USP), colaborações de trinta e cinco mestres em suas respectivas áreas de trabalho.
Segue a síntese da exposição do coordenador do estudo Professor Herval Pina Ribeiro
DE QUE ADOECEM E MORREM OS TRABALHADORES NA ERA DOS MONOPÓLIOS-1889/2016.
Massacre e resistência
SÍNTESE
I
A causalidade da perda coletiva da saúde e da capacidade de trabalho e o morrer precoce dos trabalhadores que emergem da revolução industrial no século XVIII são algumas das questões indissociáveis das relações sociais desiguais entre a classe que compra trabalho por interesse de lucro e a que vende por necessidade de sobrevivência.
Por conseguinte, há anteposições históricas e derivações. Assim as mudanças que ocorram são resultados dialéticos de anteposições e eventuais confluências entre as forças do capital e as do trabalho.
Enfim, o adoecer e morrer dos trabalhadores não são meras questões de cuidados de prevenção na produção, nem de medicina de cuidados pós acontecidos, porém de políticas de classe mutáveis que incidam mais em sua causalidade do que em suas causas visíveis. O alerta é para que não se as tome como questão autônoma, per si.
II
Fotos mexem com a imaginação. O absurdo da capa do volume I subtende-se: a indiferença de profissionais de saúde diante de violência policial escrachada num espaço de cuidados seus. Explicitas ficam a omissão e cumplicidade culposa ou dolosa, minimizadas pela dó de algum ou alguns para com o acorrentado mostrada pela tentativa de proteger-lhe o tornozelo. A foto da capa do volume II é um escárnio do agente de carceragem que se negou a abrir o cadeado e obrigou a direção do hospital fazê-lo. É engano imaginar que tais condutas são exceções nos serviços do SUS. Essas ultrapassam limites civilizatórios.
III
Esse é um estudo de cinco décadas. Envolveu três dezenas de pesquisadores e milhares de trabalhadores da área como sujeitos e vítimas que removeram situações para refazer a falsidade histórica do patronato, seguradoras privadas e do Estado sobre a Infortunística que praticam e classifica como doenças e acidentes da produção apenas os aparentes e de maior gravidade, batizadas como patologias do trabalho, cuja relação de causa/efeito é objetiva e mensurável. Conquanto sejam milhões por ano no Brasil, as notificadas ao INSS e seguradoras são uma fração pequena dos que acontecem, em atividades fabris, como as de mineração, metalurgia, química e frigorífica. A legislação é frouxa e a sonegação enorme.
IV
Partes, capítulos e temas
Volume I
Parte I: Violência de classe, Estado e monopólio.
Capítulo I - Classes e violência de classe.
Capítulo II - A Era dos Monopólios e o Estado.
Capítulo III- O Estado e o direito burguês.
Parte II: Produção e trabalho na indústria.
Capítulo IV - Confluências e monopolização industrial.
Capítulo V - A produção e trabalho na indústria de frango.
Capítulo VI - A produção e trabalho na indústria de calçados.
Parte III: Produção e trabalho em serviços.
Capítulo VII - A degradação do trabalho na educação
CapítuloVIII- O Judiciário: política, violência e serviços
Volume II
Parte IV: Necessidades primárias da classe trabalhadora.
Capítulo IX - Alimento, a mais primária das necessidades.
Capítulo X- Trabalho.
Capítulo XI - Educação.
Capítulo XII - Seguridade Social e Assistência médica e hospitalar
Parte V: Sociopatias, produção e trabalho fabril.
Capítulo XIII - Os TCS em operários metalúrgicos,petroquímicos e
químico-farmacêuticos.
Capítulo XIV - Os TCS em operários de frigorífico, curtumes
e calçados.
Parte VI: Sociopatias, produção e trabalho em serviços.
Capítulo XV - TCS em bancários e no Judiciário.
Capítulo XVI - TCS em operários de telesserviços
Parte VII: Autonomia sindical em saúde.
Capítulo XVII - 100 anos, três Brasis.
Capítulo XVIII - Perspectivas.
V
Os fenômenos econômicos políticos e sociais, entre os quais os êxodos para as cidades, as alterações dos estados coletivos de saúde, perda da capacidade de trabalho e óbitos aos montes foram consequências da revolução industrial ocorrida nos países mais ocidentais da Europa e suas repercussões em colônias do além mar que nasceram com o ciclo das grandes navegações do século XVI e deram lugar a novas colônias dos países europeus nas Américas, África e Ásia.
VI
Sociopatia é a designação que o organizador desse estudo encontrou para um fenômeno sociobiológico, político, histórico e dialético de causalidade complexa e conexa. Envolve a produção, o trabalho e violências que moldam a saúde coletiva das populações assentada nas relações conflituosas de classe para obter mais trabalho em menor tempo.
VII
A necessidade crescente de conhecimento científico é evidente, mesmo em atividades braçais, face à incorporação de novos materiais, processos e produtos tecnológicos de uso corrente. Por isso, os passos iniciais desse estudo foram estudar mais a fundo as relações sociais de classe com suas derivações para conhecer os estados coletivos de saúde e seus transtornos (TCS), leves que sejam, em categorias de trabalhadores mais acessíveis, como a bancária, de educação e judiciária, pouco ou não expostas a doenças ou acidentes tipo.
VIII
Para tanto foi concebido um questionário epidemiológico breve com sete sintomas de TCS, sinalizáveis com um (x) quando a resposta é positiva. Fácil de entender e responder no local de trabalho, ele poderá ser aplicado periodicamente para acompanhar a saúde coletiva de populações sujeitas a situações objetivas ou não de risco. O tamanho e brevidade na aplicação o faz adaptável a sintomas de mal-estar diversos e simultâneos, físicos ou associados aos psíquicos.
Antes que serviços de medicina e psicologia do trabalho se aventurem em usar tal tipo de questionário em exames de admissão ou demissão deixe-se claro que questionários epidemiológicos do tamanho e qualidade que tenham não se prestam para fazer diagnósticos de saúde do indivíduo, nem mensurar sua capacidade laboral. Ademais é doloso utiliza-lo para tais fins.
IX
A classe trabalhadora brasileira, espezinhada e
explorada vilmente em tempos de escravidão, colônia, império e república não se livrou dos grilhões que a prendem a uma burguesia tacanha, tensionada que é por sua prepotência e desigualdade de classe e por um Estado todo tempo despótico.
Apesar da espoliação, nos cem anos de sua presença realizou a epopeia sem precedentes de construir uma nação e povo, atravessados por um desenvolvimento industrial e de serviços de segunda mão, monopolizado, caótico e perversor e pe******do.
X
Há que festejar a capacidade física, intelectiva e de resistência dos trabalhadores brasileiros, diante de uma burguesia saudosa do escravismo e servidão, fácil de subornar, de joelhos ante as geopolíticas econômicas desestabilizadoras dos países ocidentais europeus que se industrializaram, enriqueceram e se vangloriam, substituídas no século XX pelas dos EUA, estimuladoras de massacres impunes, perpetrados por empresas suas, transnacionais e nacionais e por um Estado nacional apossado pelo capital.
XI
Os gritos e silêncios nesses tempos de república bastarda foram muitos e muitos os mitos. Mitifica-se, o modelo de Estado neoliberal dos EUA e ignora-se ter este país uma história curta, porém de violência longa e enorme. O estado de suas dívidas torna impossível continuar fazer girar a roleta da fortuna, porém, faz girar a roda do infortúnio dos trabalhadores do mundo que padecem e sangram. Os prazeres deles são poucos e falsos, como ter um celular de última geração com múltiplas funções que os prendem ao trabalho, os domesticam, viciam, oneram e escravizam.
XII
De bandeja, a burguesia não entregará nunca o Poder. É preciso arranca-lo e só se o fará com políticas e ações da classe trabalhadora autônomas por si e para si. A decadência dos poderes do Judiciário, Legislativo e Executivo do Estado capitalista não reside no modo de gestão de homens e coisas, nem de regimes, monárquico ou republicano que seja. Nas sociedades de classe de hoje, a reprodução do capital busca inexoravelmente concentrar renda. Ou seja, o Estado capitalista monopolista contemporâneo empenha-se mais em aumentar e piorar as diferenças de classe que diminuí-las.
Os países capitalistas vivem momentos diferentes e pressionam uns aos outros. Seus Estados e governantes, quando não fazem guerra uns aos outros puxam para si o que mais é de interesse de suas burguesias, umas mais anti povo que outras, como é a do Brasil que pouco de brasileira tem.

Contato: [email protected]
(11) 5041-2913

Para pensar e repensar...
16/11/2017

Para pensar e repensar...

12/07/2016

SINOPSE:

Gritos e Silêncios:
Degradação do trabalho e estados de saúde da voz
Resenha
Gritos e Silêncios: Degradação do Trabalho e Estados de Saúde da Voz, organizado e editado pelo Prof. Herval Pina Ribeiro, da Universidade Federal de São Paulo, relata em suas 679 páginas o processo contínuo de pesquisas, desenvolvido de 2002 a 2011, sobre as relações sociais do trabalho com os estados de saúde da voz em categorias de trabalhadores que são obrigadas a usar essa função orgânica como instrumento de trabalho degradado.
A 1ª Parte do livro, Trabalho degradado e Transtornos coletivos da voz, é o relato com base em um laboratório de experiências e ideias desenvolvidas em quatro oficinas de trabalho: uma, Os donos da voz, com a participação de dirigentes dos sindicatos de educação, telemarketing, teatro e radiodifusão; outra, A voz dos donos, representados por dirigentes técnico-administrativos das secretarias de saúde do estado e do município de São Paulo e das empresas de telemarketing; a terceira, A voz de cuidadores, com a participação de fonoaudiólogos, otorrinolaringólogos e odontólogos dos hospitais dos servidores estaduais e municipais de São Paulo; a quarta, A voz de acadêmicos, com pesquisadores em saúde coletiva, psicologia do trabalho, fonoaudiologia e linguística que atuam nas Universidades Federal de São Paulo (Unifesp), de Brasília (Unb) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc/SP). A essas oficinas seguiram-se as análises do autor dos seus conteúdos e contextos.
A 2ª Parte do livro, Trabalho e estados de saúde da voz, baseou-se em um segundo laboratório de experiências e ideias arroladas em sete oficinas com treze dirigentes sindicais permanentes e mais vinte cientistas sociais das áreas de sociologia, economia, educação, epidemiologia, psicologia, fonoaudiologia, saúde coletiva, bucalidade e enfermagem de universidades (Federal de São Paulo (Unifesp), de São Paulo (Usp), Estadual Paulista (Unesp), Estadual de Campinas (Unicamp), do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Federal do Rio de Janeiro (Ufrj)), do Ministério do Planejamento e Gestão e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Com as experiências e ideias desses dois laboratórios, entremeados de um curso de extensão sobre Adoecimentos e doenças do trabalho contemporâneo oferecido pela Universidade Federal de São Paulo aos dirigentes sindicais das categorias de professores e operadores de telemarketing, foram analisadas as suas confluências. Chegou-se, então, ao objetivo central desse processo investigativo: produzir um instrumento simples para captação de dados; ou seja, um questionário breve, auto-preenchível em dez minutos sobre Relações sociais do trabalho com os estados de saúde da voz (Qrtesv) para ser usado pelos sindicatos dessas e de outras categorias afins. O questionário foi experimentado junto à população de professores da rede estadual de seis escolas da Região Norte da capital do Estado de São Paulo e, também, à guisa de comparação, junto aos trabalhadores do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS/MPS) de Santa Catarina, esses entendidos como não vulneráveis a transtornos de voz no trabalho.
Com base nessa série de pesquisas, o autor sustenta as seguintes teses:
1. Não há um processo contínuo, nem numa única direção do estado presumido de saúde para o estado de doença;
2. Não se adoece da voz, mãos, mente e outras partes do corpo ou funções orgânicas quando se as usam para satisfazer necessidades biológicas espontâneas; adoece-se por usá-las abusivamente, o que é uma constante no trabalho assalariado e degradado.
3. Dadas às condições inseguras e precárias da produção industrial nos países do terceiro e segundo mundo, a morbidez material e objetiva é bastante visível. No entanto, em todo mundo, tanto nas atividades industriais como nas de serviços, a morbidez da produção perdeu em materialidade e objetividade e fez-se menos visível, devido à incorporação da automação microeletrônica e agora com base nas nanopartículas, aliadas ao controle mais rígido da força de trabalho.
4. É no princípio do nexo causal direto que se apoia a doutrina da responsabilidade objetiva dos acidentes e doenças do trabalho que vigora desde 1887 em todos os países industrializados, que remete o ônus financeiro a diferentes sujeitos, segundo o poder político que têm: ao trabalhador, ao proprietário dos meios de produção e ao sistema de assistência e seguro do Estado que provê direta ou indiretamente o pagamento dos presumidos “benefícios”.
Na última parte do livro, Pospostos e perspectivas, o autor discute as possibilidades dos trabalhadores e seus sindicatos, autonomamente, conhecerem, intervirem e acompanharem os estados de saúde da voz, através da aplicação periódica do Qrtesv, na medida em que atuem concretamente para tornarem menos assimétricas e menos autoritárias as relações sociais do trabalho.
Prof. Herval Pina Ribeiro "Médico graduado em 1956, pela Universidade de Medicina da Bahia (Salvador). Foi auxiliar de ensino e dirigia o Centro de Cultura Popular (CPC) da Bahia e o projeto de alfabetização de adultos do Ministério da Educação pelo método Paulo Freire quando, em 1964, teve cassados seus direitos civis e políticos. Caçado pelos órgãos de segurança do Estado, refugiou-se em são Paulo, onde reside desde então. Toda a sua produção científica está voltada para as questões de saúde coletiva e da classe trabalhadora. Sob forma de livro publicou os seguintes estudos e pesquisas: Política de saúde e assistência médica: um documento de análise (AMB, 1983); De que adoecem e morrem os trabalhadores (& Lacaz, Diesat, 1986): Insalubridade e morte lenta no trabalho (& outros, Diesat-Oboré, 1989); Hospital, história e crise (Cortez, 1993); Conversando sobre LER (Sind. Bancários de Campinas, 1993); LER: conhecimentos, práticas e movimentos sociais (Ses-SP); A violência oculta do trabalho. As lesões por esforços repetitivos (tese de doutorado, Fiocruz, 1999); O juiz sem a toga (Sinjusc-Lagoa, 2005); Os operários do direito (Sinjusc-Lagoa, 2009) e Gritos e Silêncios. Degradação do trabalho e estados de saúde da voz (Ribeiro, H.P. – Ceptps e Diesat-SP, 2013)".

12/07/2016

CAROS:

A PARTIR DE HOJE, ATÉ O PRÓXIMO DIA 11 DE AGOSTO, PROMOVEREMOS A VENDA, NESTE SITE, DO LIVRO "GRITOS E SILÊNCIOS. DEGRADAÇÃO DO TRABALHO E DOS ESTADOS DE SAÚDE DA VOZ", PELA BAGATELA DE R$30,00 (TRINTA REAIS).
OS INTERESSADOS ENVIEM E-MAIL PARA [email protected] e enviaremos como será efetuado o pagamento.

APROVEITEM.

21/12/2015

Tematizar e problematizar relações de trabalho e relações de produção, na contemporaneidade da economia brasileira, altamente monopolizada, buscando caracterizar e identificar os pontos críticos da economia política nacional com impacto sobre a saúde dos trabalhadores e suas famílias.

Endereço

São Paulo, SP
04054-001

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Segunda-feira 08:00 - 13:00
Terça-feira 08:00 - 13:00
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