10/03/2024
Egon Schiele foi um artista que começou na arte por meio da pintura realista, em conformidade com os padrões da época, assim como tantos outros. Aceito na academia de Viena aos 16 anos, foi visto como um artista promissor. Porém, tudo muda quando Schiele começa a incorporar em sua obra um estilo muito desviante das normas para a Arte do período em que viveu, influenciado pelo crescente expressionismo, incorporou elementos provocativos em seus desenhos e pinturas.
Um fator marcante na obra de Schiele foi a forte auto representação, nudez e erotismo presente, tanto de si próprio quanto de seus modelos. Schiele rompeu barreiras e não hesitou em representar a própria imagem de forma retorcida. As linhas de Schiele tem uma qualidade orgânica e ao mesmo tempo geometrizada, o que desafia nossas concepções do que seria uma representação realista do corpo. Schiele nos diz tudo que precisamos saber em suas figuras, ainda que às vezes seus traços se mostrem emaranhados. Isso nos mostra como a linha é um elemento de representação visual que pode ser moldado, distorcido e aproveitado de diversas formas para além da arte acadêmica, onde o ênfase se dá aos volumes sem contornos duros. Schiele faz o contrário, traça linhas agudas e marcantes delimitando figura e fundo, transpõe limites e volumes, traz movimento, expressividade e performatividade.
O artista utilizou materiais como lápis, crayon, guache e óleo para produzir suas peças, e é perceptível como ele usa todos os recursos desses materiais para atingir a estilização de seu trabalho, e o tornar interessante. Para Egon, a mancha heterogênea não é um problema, nem mesmo as linhas que fogem da silhueta, e para outros artistas pareceriam fora de lugar. O fora de lugar é justamente o que torna a arte de Schiele o que ela é, refletindo com exatidão o seu ser, suas ambições e pulsões.