GT Emancipações e Pós-Abolição - Anpuh/RS

GT Emancipações e Pós-Abolição - Anpuh/RS Grupo de Trabalho Emancipações e Pós-Abolição da Associação Nacional de História - seção R Pós-abolição como problema histórico.

A história das sociedades pós-emancipação no mundo Atlântico tem sido alvo de investigação de diversos pesquisadores nas Américas. No Brasil, as pesquisas no campo foram conduzidas pela Antropologia e a Sociologia até os anos 1980, momento de constituição da nova historiografia da escravidão. O reconhecimento de escravos e descendentes como sujeitos históricos também acabou por influenciar os estu

dos sobre o pós-abolição. Em contraponto à tese clássica do “largados à própria sorte”, trabalhos importantes procuraram responder o que aconteceu com a população negra depois de 13 de maio de 1888. Se a década de 1980 representou um marco para historiografia da escravidão, podemos pensar que os anos 2000 foram decisivos para a historiografia do pós-abolição. A publicação de livros, a realização de eventos nacionais e internacionais e a formação de grupos de pesquisa adjetivados pelo termo “pós-abolição”, de Norte a Sul do Brasil, atestam a emergência de um destacado campo de investigação. Cientes desse rico momento e aproveitando a oportunidade de termos reunidos tantos pesquisadores do campo nos Simpósios Temáticos “Pós-abolição: racialização, memória e trabalho” e “Da escravidão e da liberdade: processos, biografias e experiências da abolição e do pós-emancipação em perspectiva transnacional”, constituímos, durante o XXVII Simpósio Nacional da Anpuh (Natal, 2013), o Grupo de Trabalho Nacional Emancipações e Pós-abolição. O GT objetiva consolidar o pós-abolição como campo de pesquisa relativamente “dissociado dos estudos sobre escravidão, abolicionismo e relações raciais” como afirmaram Flavio Gomes e Petrônio Domingues. Ao mesmo tempo, não se pode entender tal campo sem refletir sobre os processos sociais e políticos que resultaram na abolição e que, portanto, estariam incluídos no referido campo, conforme pondera Maria Helena Machado. Se os processos da abolição no século XIX definem o começo, a memória da escravidão no tempo presente definiria os limites cronológicos da temática a ser abordada dentro do campo, conforme insistem Hebe Mattos e Martha Abreu. Com base nas experiências dos dois Simpósios Temáticos e no reconhecimento da diversidade de temas circunscritos, elencamos grandes eixos temáticos, subsídios para elaboração de nosso plano de trabalho para os próximos dois anos:

O tornar-se livre, os movimentos abolicionistas e o fim da escravidão como horizonte de expectativa. O pós-abolição como história política: direitos de cidadania política, civil, social e cultural. Mundos do trabalho e agenciamentos na aquisição e experiências da liberdade
Racismo e mobilidade social. Racialização: discursos, teorias e práticas sociais. Politização da memória da escravidão no tempo presente
Identidade, alteridade, gênero, gerações
Estudos populacionais, migrações, demografia
Práticas culturais (festas, religiosidades, artes) e sociabilidades
Educação e movimentos sociais negros e indígenas
Acesso à terra e etnogêneses quilombolas e indígenas

✊🏾🌿⚖️Sessão de julgamento do Caso de São Miguel dos Pretos é marcada para 9/9 às 9h no TRF-4, em Porto Alegre. Relembre ...
01/09/2026

✊🏾🌿⚖️Sessão de julgamento do Caso de São Miguel dos Pretos é marcada para 9/9 às 9h no TRF-4, em Porto Alegre. Relembre a mobilização contrária à perícia do historiador, que nega os Direitos do Quilombo de São Miguel dos Pretos!
1. Em 11/7 de 2025, o GTEP ANPUH RS publicou uma Carta de Repúdio à perícia que nega os direitos do Quilombo de São Miguel dos Pretos e em solidariedade à Associação Vovô Geraldo
2. A perícia realizada pelo historiador subsidiou a sentença que anulou o reconhecimento do território da Comunidade Quilombola situada no município de Restinga Seca/RS. A perícia foi favorável à descaracterização da comunidade enquanto quilombola, deslegitimando o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) desenvolvido em 2002. Para descaracterizar a comunidade, o perito acionou o argumento da ausência de uma suposta fuga escrava clássica, afirmando que a ocupação do território só se deu após a aquisição formal das terras no final do século XIX.
3. A carta de repúdio também foi aprovada junto à moção de apoio encaminhada pelo GTEP em Assembleia Geral da ANPUH, durante o 33º Simpósio Nacional, realizado em Belo Horizonte/MG, no dia 17/7 de 2025.
4. Críticas a perícia também foram publicadas em matéria do jornal Sul 21, de 14/7 de 2025, intitulada “Entidade denuncia perícia que anulou reconhecimento de comunidade quilombola no RS” e no Informativo da Associação Brasileira de Antropologia n. 14/2025, de 25 de julho de 2025.
5. O GTEP ANPUH também publicou uma série de 6 vídeos, com depoimentos de referências nacionais dos temas escravidão, liberdade, pós-abolição e quilombos no Brasil, que se posicionaram pró-carta de repúdio e em solidariedade à Comunidade Quilombola São Miguel dos Pretos.
6. A Associação Nacional de História Seção Rio Grande do Sul agora acompanha o processo n. 5006987-66.2011.4.04.7102, na condição de Amicus Curiae.
7. A sessão de julgamento foi marcada para o dia 09 de setembro de 2026 às 9h, na sala de sessões 2 do TRF-4, em Porto Alegre/RS.
Participe da sessão apoiando à Comunidade Quilombola São Miguel e à Associação Vovô Geraldo ou demonstre seu apoio nas redes!

📚Encerramos nossa participação no XVIII Encontro Estadual de História da ANPUH-RS – Combates pela História: vozes, práti...
06/08/2026

📚Encerramos nossa participação no XVIII Encontro Estadual de História da ANPUH-RS – Combates pela História: vozes, práticas e resistências com a certeza de que os estudos sobre as Emancipações e o Pós-Abolição seguem cada vez mais vivos, plurais e necessários.

➡️ Ao longo de três dias, o Simpósio Temático ”Emancipações e Pós-Abolição: práticas e resistências por protagonismos negros na História” reuniu uma sala lotada de pessoas interessadas no campo e contou com a apresentação de 20 pesquisas, refletindo a diversidade de temas, abordagens e trajetórias que hoje fortalecem essa área de investigação.

O simpósio foi um espaço de diálogo entre pesquisadoras e pesquisadores com reconhecida trajetória acadêmica e aqueles que estão dando os primeiros passos na pesquisa histórica, reafirmando um princípio que orienta o GT Emancipações e Pós-Abolição: a construção coletiva do conhecimento, pautada pela horizontalidade, pela troca e pelo fortalecimento mútuo.

Coordenados pelas historiadoras Ângela Baladares (SEDUC-RS) e Fernanda Oliveira (UFRGS), os debates evidenciaram a potência de um campo que, de certo modo, voltou para casa. A realização do simpósio na UFPel possui um significado especial por remeter ao legado de Beatriz Loner, cuja trajetória intelectual foi decisiva para a consolidação dos estudos sobre o Pós-Abolição e segue inspirando novas gerações de pesquisadoras e pesquisadores.

Agradecemos a todas as pessoas que apresentaram seus trabalhos, participaram das discussões e lotaram a sala ao longo dos três dias. A força desse campo se faz no encontro, na pesquisa, no debate e no compromisso coletivo com uma historiografia cada vez mais plural e socialmente comprometida.

Vida longa aos estudos sobre as Emancipações e o Pós-Abolição!
Vida longa aos encontros da ANPUH-RS!
Vida longa à ciência histórica! 🙌🏾

Endereço

Santa Maria, RS

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