25/06/2021
Centro de Convivência Negra
No mês de junho, a UFSM recebeu, através de uma emenda parlamentar da deputada Maria do Rosário, o valor de R$100 mil para “estimular a igualdade racial e enfrentar o racismo estrutural no Brasil. O recurso será destinado à implementação de um Centro de Convivência Negra.” A proposta da Universidade é implementar o Centro no prédio da Antiga Reitoria, no centro da cidade, com gestão do Observatório de Direitos Humanos (ODH), que seria responsável por articular com movimentos sociais, coletivos negros e cursinhos populares.
O espaço para um Centro de Convivência Negra há tempos é demandado por Nós estudantes Negras e Negros da UFSM. Em 2019, O Afronta em reuniões com a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil dialogou sobre a possibilidade de um Centro, cujo empecilho argumentado, no momento, era a falta de um espaço disponível no Campus para a sala.
Sabemos que desde a escravatura, até os dias de hoje, espaços e práticas que consolidam a Identidade Negra Coletiva e Individual sofrem tentativas de destruição e erradicação, como a perseguição à capoeira, às religiões de matriz africana e aos quilombos. As tentativas explícitas que o Estado e população civil branca impelem contra as nossas formas de organização indicam a importância e potência da nossa articulação enquanto grupo, enquanto comunidade. Impedir a nossa organização política, artística e intelectual é crucial para a manutenção da estrutura ra***ta em que vivemos, pois a organização coletiva desenvolve e concretiza práticas subversivas, práticas estas que resgatam a nossa humanidade e a nossa dignidade.
O Centro de Convivência Negra é uma Conquista do Movimento Negro da UFSM. Se hoje o Centro é uma realidade que está sendo construída, é porque ontem Nós plantamos essa semente, Nós pautamos essa demanda. Dessa maneira, é imprescindível que Nós estudantes Negras e Negros tenhamos voz no processo de construção do Centro, que não sejamos alvo de ações paternalistas que visam nos “capacitar, organizar e empoderar”, como sugere a notícia publicada pela Universidade (https://syr.us/y98). O Coletivo Afronta repudia a verticalidade na construção de um espaço que é Nosso, bem como a escolha de um local inviável para a nossa convivência pós pandemia, considerando que a grande maioria dos cursos e, portanto, de estudantes Negras e Negros circulam no campus Camobi.
Uma vez que o DCE, que visa a organização estudantil, está alocado em um local do campus Camobi de amplo acesso a comunidade acadêmica, por que o Centro de Convivência Negra, que visa a organização de estudantes Negras e Negros, se instalará em um local que, em última análise, não permite o Nosso acesso diário?
O que estamos propondo é a construção conjunta a partir do diálogo entre Nós, estudantes Negras e Negros, Observatório de Direitos Humanos e Reitoria. Demarcamos também que é preciso construir o Centro de Convivência Negra como uma política de Permanência de Pessoas Negras na Universidade, se constituindo como uma pauta da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. Um Centro de Convivência Negra deve ser um espaço pensado e fruído por pessoas Negras. Se aquilombar é prática ancestral de resistência.