26/02/2014
Porque o BCB vai subir 50 pontos base a SELIC.
· PIB do 4º tri pode ter surpresa positiva;
· Inflação ainda incômoda;
· O nome do jogo é a parte longa da curva;
· Arrecadação se eleva o suficiente.
Esta semana temos na agenda dois eventos econômicos de peso e a ordem da divulgação fará toda a diferença. No início da noite de amanhã a Autoridade Monetária irá divulgar a nova meta para a SELIC e no dia seguinte será a vez do IBGE dizer qual foi o PIB do ano passado. O mercado tem uma resposta para as duas variáveis na ponta da língua: O BCB vai subir só 25 pontos base a SELIC, mesmo porque a atividade, como será visto cabalmente no PIB a ser divulgado no dia seguinte, está muito fraco.
Sugiro cautela; não há nada de óbvio nesse raciocínio. Em primeiro lugar não é fato cristalino que o PIB virá assim tão baixo. Nossa projeção para o PIB é modesta para o 4º trimestre, apenas 0,2% contra o 3º trimestre (o mercado espera 0,3%), mas levando em conta que o PIB do 3º tri veio no campo negativo (-0,5% a.t.) especialmente por conta do setor externo e dos investimentos (FBKF) há bons motivos para sermos mais otimistas com o final do ano passado.
Em primeiro lugar a balança comercial havia afundado no 3º trimestre caindo 29% na comparação não sazonal em relação ao 2º trimestre; já o resultado comercial do 4º trimestre, também na comparação sazonalizada, é de uma alta de 183%. Há espaço aí para alguma melhora.
O outro ponto importante foi que no 3º trimestre o investimento caiu na margem nada menos que -2,2%, mas a trajetória ao longo do ano havia sido de alta subindo no 1º trimestre 4,2% e no 2º trimestre 3,56%. Podemos ter outra surpresa positiva nessa rubrica e irá desarticular parte do pessimismo. Não é “claro” que o investimento estacionou no Brasil.
Dito isto temos ainda a outra parte da equação a ser observada pela diretoria do BCB que é a inflação corrente de fato. Hoje o IPC-FIPE veio em 0,58%, valor este abaixo do piso das estimativas. O resultado mais benigno foi alcançado via queda do grupo alimentação, transportes e pela normalização do grupo educação. Apesar do resultado baixo este não é ainda tão expressivo que possa ser comemorado de maneira indiscriminada pela equipe econômica. Para o mesmo período em anos anteriores a alta ainda é relevante e inspira cuidados.
Por isso mesmo temos que ter aqui atenção. O mercado diz “que uma alta menor agora faria sentido”, mas este mesmo mercado diz que o BCB terá que subir os juros em 2015, ou seja: o mercado acredita que o BCB não tem a coragem de fazer o ajuste necessário, na verdade parte do mercado simplesmente não acredita mais no BCB.
Não vamos entrar neste detalhe, mas o motivo da desconfiança do mercado com o BCB tem haver com a Revolução Monetária que foi ao tecido econômico brasileiro a queda das taxas de juros reais no Brasil nos últimos anos quando saiu de 13% em termos reais em 2005 para menos de 1,5% em 2012 . Esta hipótese já estressamos nessas páginas mais de uma vez e não vamos retomar por hoje.
O BCB tem uma chance de ouro para restabelecer a credibilidade arranhada e para isso basta fazer o que disse que iria fazer, a saber, subir em 50 pontos base dando continuidade ao ajuste das condições monetárias e sinalizando na sequencia o fim do ajuste. A ideia central é que se o BCB subir em 50 pontos base (que na margem é quase nada, afinal o mercado já trabalha com 25 pontos de alta) a parte longa da curva cairia tornando uma alta no curto prazo num verdadeiro corte de juros nas taxas mais relevantes ao mercado de investimento que são as longas.
O Ministério da Fazenda e do Planejamento já deram um passo importante nessa direção ao anunciar a meta de superávit crível que convenceu parte do mercado e, principalmente, às agencias de classificação de risco (com exceção da S&P que faz silêncio misterioso e olhar obliquo de uma Capitu).
Fonte: Gradual Investimentos.
Colaboração: Prof. Sergio Escuder
Coordenador dos cursos de:
MBA Executivo - Controladoria e Planejamento Tributário;
MBA Executivo – Finanças;
MBA Executivo - Gestão Empresarial;
MBA Executivo - Gestão Pública De Cidades;
MBA Executivo - Mercado Financeiro e de Capitais;
MBA Executivo - Recursos Humanos.