08/06/2026
Onde aprendemos a escrever artigos científicos? ✍️
Se pararmos para pensar com honestidade, talvez percebamos que muitos de nós não aprendemos isso de forma sistemática durante a graduação.
Na faculdade, temos uma primeira aproximação com esse universo. Conhecemos normas, trabalhos acadêmicos, projetos, relatórios e, em alguns casos, a iniciação científica. Mas, muitas vezes, é apenas uma “amostra” do mundo da ciência e da escrita acadêmica.
Na pós-graduação lato sensu, esse processo também nem sempre se consolida. O foco costuma ser mais profissional e aplicado.
No mestrado, o contato se intensifica. Começamos a compreender melhor a estrutura de um artigo, a lógica da argumentação, o diálogo com a literatura e a importância do método. Ainda assim, em muitos momentos, somos conduzidos de perto por nossos orientadores.
Talvez seja no doutorado que a escrita científica passe a ser, de fato, apropriada com mais maturidade. Aprendemos escrevendo, reescrevendo, submetendo, recebendo críticas, lidando com recusas e compreendendo que a escrita científica não é apenas uma técnica, mas uma linguagem.
E é aqui que nasce uma inquietação.
Se muitos de nós só nos apropriamos dessa linguagem depois de anos de formação, por que esperamos que estudantes da graduação produzam TCCs impecáveis, artigos maduros e textos com alto nível de elaboração científica?
Cobramos autonomia, mas nem sempre ensinamos o percurso.
Cobramos autoria, mas nem sempre mostramos como ela se constrói.
Cobramos bons textos, mas nem sempre acompanhamos as etapas que tornam essa escrita possível.
Por isso, talvez precisemos voltar a pegar nossos estudantes pela mão.
Não para fazer por eles.
Mas para mostrar como se faz.
Porque a autonomia na escrita científica não nasce do abandono.
Nasce da mediação. 🌿
Ensinar escrita científica é mais do que corrigir textos.
É formar pensamento, autoria e pertencimento ao mundo acadêmico.