30/08/2023
Hoje, no primeiro aniversário do seu falecimento, lembramos e celebramos Mikhail Gorbachev (1931-2022), Prémio Nobel da Paz (1990) e último líder supremo da União Soviética (1985-1991). Fautor do descongelamento das relações da União Soviética com o Ocidente, pareceiro de diálogo de Ronald Reagen (e alvo de algumas das suas famosas piadas soviéticas), facilitou o fim da Guerra Fria, tentou, através da perestroika e do glasnost, reformar a irreformável União Soviética comunista e teve a ousadia de sonhar algo melhor para a Rússia do que o sistema economicamente falhado, politicamente ditatorial e socialmente opressivo em que o vasto antigo império euro-asiático se encontrava estrangulado desde 1917. O seu sucesso político é discutível, mas as suas boas intenções, abertura, integridade e, enfim, o seu legado moral não o são. Admirado por muitos, detestado por outros tantos, é vilipendiado ainda hoje como um traidor do comunismo em certos círculos de fanáticos ideológicos, como sejam as redacções de certos jornais, as salas comuns de certos partidos e o submundo de certas faculdades. E esta é, talvez, a maior prova da sua grandeza.