20/09/2016
Arquitecto Álvaro Machado, Igreja-Monumento à Imaculada Conceição, Picoas, Lisboa, 1904 - Perspectiva do Conjunto - Aguarela sobre papel, com dimensões aproximadas de 1,20x0,60m. [descrição por Nuno José Almeida Magalhães].
“Álvaro Machado nasceu em Lisboa em 20 de Julho de 1874, na freguesia das Mercês e faleceu a 28 de Julho de 1944. (…) Em 1887 inscreveu-se no curso Industrial e Comercial de Lisboa como preparação para futuros estudos artísticos. No ano de 1889 ingressa no Curso Geral de Desenho da Academia de Belas Artes de Lisboa e passados quatro anos, inicia o curso de especialidade de Arquitectura Civil que termina, em 1897, com distinção. Em 1895, ainda a frequentar o Curso de Arquitectura Civil, entra para o Ministério das Obras Públicas onde trabalhou até 1917. (…). Foi assim, em plena viragem do século, que Álvaro Machado iniciou a carreira de arquitecto, numa conjuntura de cultura arquitectónica eclética que se envolvia em paralelo na busca ideológica da casa portuguesa, para responder à crise histórica dos anos 90. No seio da cultura arquitectónica portuguesa do início do século XX, a «visão nacionalista» que se fazia sentir favorecia o advento do neoromânico que, segundo João Vieira Caldas, acabou por ser introduzido em Lisboa com a construção do túmulo dos Viscondes de Valmor. Esse revivalismo, sustentáculo estético desse projecto de Álvaro Machado, não se tratava de uma referência qualquer, era o «estilo mais português que tínhamos». (…) A corrente neo-românica é adoptada em quase todos os projectos que Álvaro Machado consegue realizar no período mais produtivo da sua carreira (1900-1944), isto é, aproximadamente entre 1900 (Jazigo dos Viscondes Valmor) e 1919 (Palacete Alfredo May de Oliveira). Nesse mesmo período, apesar de ser um dos jovens arquitectos bem sucedidos em Lisboa, decide entrar para o ensino, acabando por ser nomeado em 1910, após concurso, professor da cadeira de Noções de Arquitectura e de Desenho no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Em 1911, aquando da criação do Instituto Superior Técnico, é convidado para ensinar desenho a engenheiros. Nesse período que dedicou à docência no IST (1911-1934), assegurou a regência de várias cadeiras até ano de 1920 em que convidou Porfirio Pardal Monteiro (1897-1957) para seu assistente.” Nuno José Almeida Magalhães, A Obra do Arquitecto Álvaro Machado, ISCTE, 2007.