03/24/2015
Que o outro saiba quando estou com medo,
e me tome nos braços sem fazer perguntas
demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio
e não vá embora batendo a porta, mas
entenda que não o amarei menos porque
estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com
ele e não se irrite com minha solicitude, e
se ela for excessiva saiba me dizer isso com
delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não
ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste
um pouco mais de mim, porque também
preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não
pense logo que estou nervosa, ou doente,
ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da
perda, e ouse ficar comigo um pouco - em
lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja
meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem
dizendo ''Olha que estou tendo muita
paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa
bem inadequada diante de mais pessoas, o
outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência,
perco a graça e perco a compostura, o outro
ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre
disponível, sempre necessariamente
compreensiva, mas me aceite quando não
estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que
mesmo se às vezes me esforço, não sou,
nem devo ser, a mulher-maravilha, mas
apenas uma pessoa: vulnerável e forte,
incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa -
uma mulher."